Avaliar é Saber dar Valor

Sempre que bons momentos “acabam”, vem aquela sensação de como passou rápido. Muito embora o jogo da Escola de Guerreiros sem Armas possa ser só o começo de uma grande experiência e transformação, estou com aquela sensação de vazio.. a mesma que temos quando acaba um ótimo livro, empolgante e que você lê de partes em partes.. E que está doida para chegar ao fim, mas quando chega o fim – e agora?!

Participar do jogo foi uma experiência diferente, só para começar pelo blog pessoal. Com ele, deparei-me pela primeira vez expondo meus pensamentos, minhas ansiedades, minhas paixões, minhas vontades como um livro aberto. Foi interessante, foi empolgante.. e começou a fazer parte do meu dia a dia pensar no que escreveria para o próximo post.

Talvez ao contrário da grande maioria, não sem explicar bem o porque, mas preferi não olhar os outros blogs para eu fazer o meu na essência do “meu eu”. Preferi para deixar para o final do jogo e saber como tudo aconteceu para todos, como foram os momentos de cada um, e qual (se tiver) perfil o grupo, como um todo, possui..

O friozinho na barriga foi forte, principalmente durante a redação dos posts. E a incerteza sobre como estamos sendo avaliados? Estamos sendo avaliados? É tão gostoso participar do jogo, que algumas vezes eu me esquecia. Isso foi muito bom para que eu não criasse nenhuma “trava” ao escrever, que não fosse outra pessoa a não ser eu mesma.

O jogo também me desenvolveu. A experiência de colocar uma idéia e uma motivação na prática foi super interessante para colocar o pé na realidade, para saber quando é preciso ouvir, quando é preciso confiar, quando é preciso envolver, e principalmente, como e quando temos que agir, conforme o público com quem estamos lidando, no qual estamos inseridos.

No meu caso, confesso que esbarrei em uma certa burocracia que me fez refletir o quão além eu não poderia ter ido na iniciativa. Escolhi gerar uma transformação em um prédio que não é o meu, mas do qual sou próxima. E algumas vezes senti-me um pouco intrusa, atuando numa comunidade da qual pertenço.. muito pouco. 

E é BEM NESSE SENTIDO que vieram, várias vezes, questões à minha cabeça sobre a Escola de Guerreiros – como iremos gerar mudança em um comunidade que não pertencemos? Como iremos atuar em um local que tampouco conhecíamos? Como a comunidade irá nos receber? Incrivelmente, é por esses desafios e essa enorme curiosade que quero estar lá, para aprender com todo o conhecimento do Instituto Elos essa abordagem, essa busca pela integração e harmonia no espaço em que estaremos. Como preciso disso! 

Será fantástico, será maravilhoso poder compartilhar dessa experiência e aprender MUITO! É isso que busco, estou torcendo para dar certo. E se não der, eu tento novamente :D

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5,4,3,2,1… é pra já!

Síndico!” Preciso procurar o síndico do prédio. Foi assim que comecei, assim que “estava dada a largada” da corrida para fazer a proposta de mudança ir pra prática. Na segunda feira à noite fui ao prédio e, logo que cheguei, parei na portaria para conversar com os porteiros e perguntar pelo síndico. Para a minha surpresa, o prédio não dispõe de um síndico, … porque quem administra é uma empresa, a mesma responsável pela venda e aluguéis dos apartamentos. No problems!

Logo pela manhã no dia seguinte, liguei para o número que me passaram em busca do administrador. e ele não estava.. Deixei recado.. não respondeu até o fim da tarde. Poxa vida! No dia seguinte, mudei a estratégia e enviei um email. Ele respondeu! Ufaa! A partir daí, trocamos um série de emails, conforme colados abaixo:

Durante os contatos, eu tive algumas surpresas e sensações diversas. Primeiro, recebi do administrador a informação de que eu havia sido mal informada e que já havia coleta seletiva no condomínio. COMO ASSIM?! Ué, eu havia falado com 2 funcionários, que lidam diretamente com os serviços, e me confirmaram que não havia.

Bem, ao invés de entrar na discussão se havia de fato ou não, queria ir para o resultado! Preferi comemorar o fato de que havia algum sistema montado – e colaborar para torná-lo mais acessível a todos e melhor comunicado. Esse era nesse ponto, portanto, que eu poderia agir.

Conversando com o morador, maaais uma vez, comprovei que ele nunca recebeu nenhuma informação falando sobre a coleta seletiva, também não havia lido em nenhum local pelo condomínio informações a respeito. E eu fiquei pensando: não há como aumentar a coleta sem informação. Os moradores não irão adivinhar, tampouco imagino que muitos irão perguntar a respeito da coleta seletiva.

Voltando à conversa: quero grifar esses dois últimos emails a seguir: foi a sacada que tive. Não dava para deixar o administrador defendendo que havia coleta, e ficar por aí. Era preciso – e eu estava muito disposta a me propor para - melhorar a comunicação a respeito. Por isso, enviei a ele uma série de informativos para que ele imprimisse em grande escala e distribuísse no condomínio.

Minha vontade maior era de imprimir e sair distribuindo porta em porta! Mas eu tive que voltar atrás na idéia para respeitar, acima de tudo, o administrador e, principalmente, confiar em suas palavras, como estava no email.

E a tensão de ficar esperando para ver se algum informativo apareceria? 5ª feira.. nada; 6ª feira.. nada… Eu confesso que eu havia me sentido enganada. Sabe aquela sensação de desprezo, só de pensar que a pessoa havia levado suas sugestões em vão? Ah, sem falar no prazo da tarefa chegando perto do fim…

Mas foi aí que no sábado meu “companheiro, guerreiro apoiador” me liga para dizer que havia acabado de chegar à sua porta um comunicado sobre a RECICLAGEM! Que maravilha!!! E quando, mais tarde, ele me entregou, vi que era super semelhante a um dos modelos que eu havia entregue.

A mobilização dos moradores através da comunicação da reciclagem já pode ser considerada uma conquista. Calculo que 1 mês seja um tempo ótimo de análise da evolução do lixo reciclável separado pelos condôminos para checar se está dando certo a iniciativa e que medidas precisam ser tomadas para melhorar cada vez mais!

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A gente não está Sozinho! (Ufa!)

É muito bom pensar que não estamos sozinho para uma missão de transformação. No caso do desafio que estou propondo – implementar a separação do lixo reciclável em um condomínio de São Paulo – haverá participantes em diferentes níveis da ação. E, para que eu estruturasse essa equipe de envolvidos, segui uma lógica reversa da coleta de resíduos para identificar os participantes diretos e indiretos.

a. Envolvidos

1. Os Coletores e Receptores dos Resíduos Sólidos: Felizmente existe a coleta seletiva na rua do condomínio, realizada pela empresa de coleta Ecourb. Liguei para a empresa para saber mais: os dias de coleta e para onde vai o material reciclável. São dois dias destinados à coleta seletiva (que ótimo!) e o material é destinado a dua cooperativas em São Paulo: a Cooperativa São Mateus e a CooperCaps.

2. Funcionários Encarregados da Coleta do Lixo dos Apartamentos: Diariamente o lixo é coletado por dois funcionários. São 2 turnos: matutino e noturno. O lixo possui espaço grande de armazenagem para aguardo da coleta tradicional.

3. Síndico responsável pela estruturação das atividades dos funcionários: O síndico possui papel fundamental nesse processo, pois é ele quem estrutura todo o quadro de funcionários e esquema de trabalhos e rotina de tarefas.

4. Moradores: No condomínio existem 3 prédios com 25 andares cada, com média de 2 moradores por andar. Isso dá 150 moradores, no mínimo, além dos funcionários do condomínio e dos apartamentos, por exemplo, babás, empregadas domesticas. Todos descartam diariamente quilos e quilos de resíduos sólidos recicláveis.

5. Funcionários da Portaria e da entrada da Garagem: esses são os colaboradores que mais possuem contato diário com os moradores. São eles potenciais agentes de divulgação de folhetos informativos e esclarecimento de dúvidas em relação ao programa de coleta seletiva que será implementado.

6. Eu e o Morador a que sou próxima: com a ajuda dele, seremos os responsáveis pela apresentação da proposta ao síndico e pela elaboração de informativos sobre o programa da coleta seletiva.

b. A articulação

O plano de engajamento de todos esses participantes será da seguinte forma:

1. Reunião com Síndico: é pelo síndico que iremos (eu e o morador) começar. Apresentaremos a ele um material com o contato da empresa que faz a coleta seletiva e com as informações das datas e horários que o caminhão passa à porta do condomínio. Também será apresentada sugestão de folheto explicativo a ser entregue aos moradores para conscientização e participação na separação do lixo.

2. Treinamento dos Funcionários da Coleta nos Apartamentos: respeitando as normas que existem nos condomínios, espera-se que o síndico repasse a informação sobre a coleta aos funcionários, instruindo-os sobre datas e novos horários de recolhimento do lixo reciclável. Ainda assim, irei me propor a ajudá-lo, caso ele queira.

3. Treinamento dos Funcionários da Portaria: Estes serão os agentes disseminadores da novidade no condomínio. Também é esperado do síndico – e eu me oferecerei a colaborar - o trabalho de comunicá-los e de instruí-los em relação aos procedimentos que os moradores deverão adotar para separar o lixo. Um material impresso será disponibilizado com instruções mais detalhadas.

4. Monitoramento: será de responsabilidade minha e do meu “parceiro morador”, além do síndico, conversar frequentemente com os funcionários da coleta do condomínio para saber como está a atitude dos moradores em relação à separação do lixo. A estratégia é reforçar a distribuição de informativos, buscando ao máximo conscientizar todos os moradores e atingir meta de 100% de separação dos resíduos recicláveis.

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Grandes Idéias Nascem de Pequenas Causas

“Grandes Impactos começam com Pequenas Ações”

Movida por essa lógica, parei para refletir que ações estariam ao menos próximas do meu alcance e que poderiam gerar alguma transformação. Um prédio! Ou melhor, um conjunto de 3 prédios com 25 andares, cada, recém construídos, com uma comundade que está ainda em formação. E que pode começar muito mais sustentável!

Pois bem, o prédio em questão não é meu prédio, mas onde vive uma pessoa muito próxima e que, por isso, tenho acesso e tenho o próprio morador super apoiador de qualquer transformação positiva no condomínio. E o problema identificado é a falta de coleta seletiva dos resíduos do condomínio. Isto posto de uma forma superficial. São 25 andares por prédio, 3 prédios, portanto, 75 apartamentos, com uma média de 2 habitantes cada. Isso já resulta em 150 produtores de quilos e quilos de lixos diariamente.

Pois bem, para resolver eu elaborei um plano de ação, buscando maneiras simples, eficazes e que impactantes:

1. Pesquisar pela internet e pelo telefone cooperativas no entorno que possam coletar o lixo freqüentemente;

2. Entender o processo de coleta das cooperativas e se elas são seletivas na coleta de apenas determinados resíduos;

3. Conversar com funcionários do prédio para entender como se dá atualmente o sistema de coleta de lixo comum: empresa de coleta, dias coletados, retirada dos sacos de lixo dos andares, local de armazenagem;

4. Elaborar com funcionários estratégia de coleta do lixo a ser reciclado, estudando local apropriado de armazenagem. É importante destacar para o fato de que lixo reciclável possui períodos maiores entre coleta, para que valha o custo do frete para a cooperativa;

5. Em companhia da pessoa a que sou próxima – o morador - agendar conversa com síndico para oferecer a proposta e mostrar as oportunidades sociais (geração de renda às cooperativas) e ambientais de coleta seletiva;

6. Se felizmente for aceita, buscarei apoio com organizações especializadas em trabalhos com conscientização sobre a reciclagem para divulgar materiais no hall do condomínio e nos andares sobre a conscientização sobre a coleta seletiva. Uma organização que conheci recentemente foi a Menos Lixo (www.menoslixo.com.br), que tem expertise em educação sobre reciclagem.

Agora, mãos à obra!

Fonte da foto: http://eprecisomudar.blogspot.com/

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Porque quem é rico, é o lixo!

Talvez tenha sido depois de voltar de uma viagem feita à Índia, em Janeiro desse ano, que reforcei a percepção e a preocupação com a questão do lixo. Na verdade, o que ocorreu foi perceber que, por mais que a Índia bata recordes de falta de coleta de lixo, falta de hábitos de higiene por causa de aspectos culturais, São Paulo não está nada longe. A foto acima é da India, de um rio que se transformou em lixo. Eu fiquei chocada e por isso da foto. … Mas na volta, quando estamos na Marginal, o que aconteceu com o Tiete e co mo Pinheiros? A poluição só não é tão colorida quanto na Índia…

Estou falando isso porque eu não tinha parado para analisar minuciosamente e inclusive em dados de pesquisas qual o tamanho do lixo brasileiro – e qual o tamanho da riqueza que infelizmente pros lixões se vai! No Brasil, são produzidas 140mil toneladas diariamente de lixo. 50% dos lixos das cidades ainda estão indo para lixões a céu aberto. E mais: apenas 7% das cidades possuem coleta de recicláveis – o que atende a somente a 14 milhões de pessoas. Chocance é São Paulo! -  dessa montoeira de lixo que é produzida diariamente, apenas1% (dados do Movimento Nossa Sao Paulo) é hoje coletada para a reciclagem! E eu moro aqui, e não dá para fechar os olhos!

MEU LIXO

Embora não tenha sido possível mensurar dia a dia o total de lixo que eu produzi na última semana, durante o fds que passou não deixei passar um material reciclável desapercebido. Em 3 dias (contando 6a à noite), foram 2 sacolas cheias (+- 20litros) com latinhas, mtas embalagens cartonadas de alimentos pronto, sacolas plásticas rasgadas, caixas tetrapak, algumas garrafas de água. Em duas refeições, pedi comida em casa – e aí é que fiquei espantada com a quantidade de embalagens! Bom, resultado é que não só o prédio onde eu estava não faz coleta seletiva, mas a cooperativa mais próxima e que abrangia a região me disse, ao telefone, que está sem caminhão para coletar o lixo. Coloquei-me a missão é achar uma outra cooperativa para implementar naquele prédio a coleta seletiva!!

Em casa, felizmente, uma cooperativa vem ao prédio e faz a coleta. Já faz tempo que fazemos a separação – e se há um relato a fazer -como é BOA a sensação de saber que os recicláveis terão outro destino, que não o aterro sanitário. E, principalmente, que há uma cooperativa por trás, organizada, que vem semanalmente ao prédio e que, com toda a paciência, faz a triagem no próprio estacionamento. Ouvi uma idéia recentemente que vale a pena compartilhar: veio de um grupo de conhecidos que, em um desafio de uma organização, criaram um negócio super simples e com alto impacto: lixeiras para reciclagem a serem vendidas a residências! Tão simples, mas com tanto impacto. Por experiência própria: se não há lixeiras à vista para o depósito de recicláveis, é muito fácil cair no comodismo e jogar tudo ‘no mesmo saco’.

MEU EXCESSO

Ual, foram poucos dias depois de eu ter feito “aquela” arrumação no armário, é que veio a 3a tarefa do jogo da escola de guerreiros sem armas. Da organização, saíram umas 2 sacolas cheias de roupas, foi impressionante. Na sacola, juntei umas 4 calças-jeans, blusas, camisetas e alguns sapatos. Uma parte não cabia, mas doei também roupas que cabiam sim, só que eu não usava há muito tempo, e dificilmente usaria. Doei para a Maria José, que trabalha aqui em casa – inclusive arrumando aquelas roupas frequentemete no armário. E fiz um pedido a ela para que ela não cometesse o mesmo erro que o meu, de guardar com ela roupas daquelas sacolas que não coubesse ou que nunca usaria. Foi interessante que ela tbém começou a refletir no que ela tinha em casa e que não usava mais e que também passaria adiante.

MEU CONSUMO

Esse foi o desafio que não saiu da minha cabeça desde a semana passada. Para levar essa idéia à prática, pensei nas economias que podem ser feitas e que geram grandes impactos positivos. Pra isso, (e recomendo a todos), entrei no site do WWF e calculei minha pegada ecológica. Se as pessoas fossem como eu, precisaríamos de 3 planetas terra para nos sustentar, e não dá para eu continuar dessa forma. (Eu achava que era consciente e que gerava menos impacto.)

E desse teste junto com a reflexão, listei os seguinte pontos que definitivamente irei mudar:

- Alimentação: já como pouco, mas buscarei eliminar o consumo de carnes. Problema ainda são os laticínios, dos quais sou apaixonada. Além disso, me forçarei a andar com minha garrafa de água e virar uma proibição comprar garrafas de água de plástico. Também buscarei evitar alimentos embalados, ficar mais atenta.

- Transporte: pra quem vive em São Paulo, é uma culpa diária que carregamos conosco. Trabalho muito longe de casa e ficar sem carro complica muito. O que já tenho feito é esquema de carona com o pessoal da empresa, e isso não só tem sido bom para o meio ambiente, mas para o nosso relacionamento. Boas conversas surgem durante o horário de rush. Mas outro assunto que veio à minha cabeça, em decorrência do jogo, foi calcular o consumo de gasolina do meu carro – um absurdo. Não havia pensando anteriormente, mas estou cogitando trocar para um outro carro, pelo menos flex.

E o que economizei essa semana?

- Consegui ir ao trabalho, pelo menos 2x, dando/recebendo carona;

- Tenho trocado, em restaurantes, bebidas em latas e principalmente garrafas de plástico por sucos.

- Água! Muito atenta à torneira

Mas preciso melhorar! Estou teimando com o meu carro…

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Meu Propósito, Meu Compromisso, Minha Ação

Por que a Escola de Guerreiros?

Conheci a Escola de Guerreiros Sem Armas ano passado por uma amigona que viveu a experiência. Ela tinha acabado de voltar e estava realmente transformada. Brinco até que ela estava aérea, com a cabeça ainda na escola, ainda absorvendo tudo o que passou lá e refletindo a respeito. Foi uma conversa de outro mundo que tivemos, discutindo valores, discutindo hábitos de consumo, discutindo a diversidade que há ao nosso redor e o quão de fato estamos envolvidos e interagindo com diferentes grupos, com diferentes culturas, pessoas, experiências!

Eu saí daquela conversa tocada, sentindo um pouco do que minha amiga estava sentindo com tanta vibração, na pele mesmo. E fiquei pensando em que momento da vida eu faria algo semelhante, com uma imersão profunda de 1 mês em uma comunidade totalmente nova, cheia de desafios … por 1 mês – quanto tempo, não?!

Na época, engraçado, eu estagiava em um banco – com aquela sensação de começo de carreira, de novos horizontes, e ao mesmo tempo de sufoco, de enquadramento em um padrão de vida quase que.. pré-determinado. Ou super determinado mesmo, sendo mais sincera. Com isso, aquela conversa me tocou, mas ficou armazenada em uma caixinha de vontade dentro de mim e eu não pensava em um dia viver a experiência.

Mas muita muita coisa mudou! Foi também em 2007 que dei um salto na minha vida, um salto de transformação, onde não apenas saí daquele estágio, mas iniciei o projeto da Dois e Meio, com essa minha amiga (É a Nina!!!) e com mais três amigos. E hoje, tendo o envolvimento na área social como prioridade na minha vida, faz todo o sentido participar da Escola – faz parte de uma imersão que iniciei ano passado.

Meu Propósito

Estando nesse momento da vida, participar da Escola de Guerreiros faz todo o sentido para mim, porque quero viver a experiência intensa que a escola proporciona e realizar a imersão completa na comunidade de Santos. Outra motivação grande é a oportunidade de conhecer outros jovens engajados com causas sociais e dividir esses entusiasmo e todos os medos que nós todos possuímos. É tão bom estar ao lado de quem nos entende! Quem entende essa força quase irracional que nos move para agir na área social, para tentar transformar o mundo e não simplesmente nos adequar a ele e aceitar a situação como hoje está.

Meu Compromisso

Na volta do programa, grandes desafios e realizações estarão à espera! No curto prazo, durante os meses de fevereiro até aproximadamente maio de 2009, estarei junto com a equipe da Dois e Meio (empresa que criamos) e com uma Produtora da qual somos parceiros realizando a filmagem do documentário “Setor 2.5″, que tratará o movimento internacional de negócios sociais. Durante as filmagens, terei uma tarefa especial de prospectar pessoas de comunidades vinculadas aos negócios sociais em questão. O objetivo dessa missão é de conhecer a realidade dessas pessoas para compreender na essência os reais impactos que os negócios sociais abordados estão trazendo para a vida desses indíviduos. Essa é só uma ação inicial que realizarei no curto prazo após a vivência da Escola de Guerreiros e que certamente será muito melhor desempenhada depois do grande aprendizado durante a imersão em Santos.

Uma vez lançado o documentário, tenho o plano de iniciar a implementação de um projeto de pequenas usinas de reciclagem ao redor da cidade de São Paulo – negócios sociais cuja missão é de desenvolver o potencial empreendedor dos catadores de materiais recicláveis, oferecendo-lhes oportunidade de parceria nos empreendimentos de reciclagem. Os catadores são verdadeiros agentes ambientais com uma inteligência e uma visão estratégica admirável – são guerreiros, como poucos, que enxergaram a riqueza que há nos lixos descartados em toneladas diariamente!

Minha Ação

Busco sensações e vivências muito fortes na Escola de Guerreiros, que me deixarão muito mais madura, fortalecida e preparada para agir conscientemente e com impacto efetivo na área social. Além de pensar em todos os aprendizados que terei da comunidade e do convívio com todo o grupo, imagino um mergulho profundo em questões muito pessoais decorrente de um processo intenso de auto-conhecimento. Nunca tive antes experiência semelhante como se propõe a Escola, uma proposta de ação (e não meramente uma visita) em uma comunidade desconhecida, com um grupo com tamanha diversidade e com toda uma metodologia de trabalho. Uma experiência na qual busco passar por diferentes situações, sensações e conhecimento principalmente do poder que um grupo pode junto ter para gerar transformação. Sem falar nas diferentes histórias de cada participante e das pessoas que conheceremos por lá!

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Quem estou?!

Estou em ebulição! Acabei de voltar de um dia incrível, um dia com o qual sonhei e busquei desde o início de 2007 – o dia em que tive a oportunidade de conversar com uma pessoa que muito me inspira: um banqueiro! Mas nããão um banqueiro tradicional. Um banqueiro que é tudo menos um banqueiro tradicional. Ele vem do Bangladesh e foi vencedor, em 2006, do Premio Nobel da Paz. Paz?!

Muhammad Yunus ele se chama – um economista que migrou das salas de aula e foi para a prática conhecer a realidade da pobreza que ele discutia dentro de quatro paredes anteriormente. Um empreendedor que revolucionou o modo de se pensar e de fazer negócios, indo totalmente contra o que a lógica capitalista prega nas sociedades, e que criou há 31 anos um Banco dos Pobres – o Grameen Bank.

Com o Grameen, esse empreendedor visionário acreditou no potencial empreendedor da população, sobretudo de mulheres, e sem exigência de colateral passou a realizar microempréstimos com finalidade produtiva. Essa iniciativa expandiu-se para um banco que possui hoje mais de 7 milhões de clientes e que são também sócias da organização. Um banco que possui menos de 1% de inadimplência e que, além de ter se provado ser viável, gerou a oportunidade para os que tomaram o empréstimo provarem a si mesmos que são capazes de honrar a dívida por meio de seu potencial empreendedor, unindo-se em grupo e gerando riqueza com um próprio negócio.

Eu muito expandi minha visão do mundo depois de ter conhecido a forma de pensar e de agir do Yunus. A partir dele, do conhecimento do conceito – e das práticas – de admiráveis empreendedores e empresários sociais é que pensei: por que não inspirar, assim como ocorreu comigo, mais pessoas, mostrando a elas essas iniciativas que unem a busca pelo impacto social aliada a um modelo de negócios como meio para melhorar a vida de muita gente? Por que não buscar mobilizar mais jovens e também empresários a também pensarem que é possível alinhar o social com o econômico e quebrar paradigmas vigentes?

Dessas idéias é que desenvolvi, junto com um grupo de amigos admiráveis, o “Setor 2.5″, um projeto que busca trazer, na forma de um documentário, o conceito de empresas sociais sob diversas óticas, diversos agentes de transformação e em diferentes países mostrando a tendência que está emergindo globalmente. Para isso, viajamos em janeiro e fevereiro desse ano até a Índia e o Bangladesh para entrevistar empreendedores sociais que já estão desenvolvendo esse modelo de negócios sociais e conhecer as iniciativas na prática. Além disso, entrevistamos e conversamos com empreendedores e intraempreendedores brasileiros que são insatisfeitos com a realidade e que estão agindo pela transformação da sociedade.

O projeto em si, o documentário, tem previsão de lançamento para julho de 2009 e trabalhar pela sua realização é o que me faz ser e estar nesse momento. Ele é, porém, o que eu tenho chamado de um meio para consolidar a busca pela área, dentro do campo social, em que quero atuar. Hoje durante a conversa com o Yunus ouvi uma recomendação que merece ser levada a todos: “se você quer empreender e criar um negócio social, pense no que mais o incomoda ao seu redor e que você vive pensando: ‘que absurdo! como pode haver esse problema e não se faz nada para mudar? ‘”

Pois eu parei para refletir dessa forma e dentre as tantas injustiças e desafios que diariamente temos ao nosso redor, existe um tema que pessoalmente me desperta essa indignação e ao mesmo tempo me enche de energias, de interesse e de vontade para atuar com: com os grandes agentes ambientais! Não estou falando do Greenpeace ou do WWF, mas dos catadores de resíduos para a reciclagem – trabalhadores brilhantes que como poucos visualizaram a riqueza que é hoje enterrada nos aterros e nos lixões!

Pois são eles e o potencial de geração de multiplas riquezas, principalmente sociais, que desperta nesse momento o interesse pela reciclagem! Um interesse em desenvolver idéias concretas de recicladoras para alavancar o trabalho das cooperativas de lixo e da coleta de resíduos recicláveis, além de oferecer a oportunidade aos catadores que hoje são ora maltratados ora invisíveis nas ruas das cidades a serem empreendedores parceiros de uma cadeia de recicladoras em São Paulo, depois em outras cidades.. quem sabe por diversas regiões do estado.. e depois por todo o país?!

São idéias que quero levar adiante e estou muito aberta a informações, a troca de experiências e a aprendizado!

Meu momento, minhas inspirações… :

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Attitude

“Hold the sky to stand, and walk with the wind in your hands,
Be the front-runner; because when you walk, the world walks with you.
Lend your hand to pull out the Sun in the morning,
Fill your hands with sunlight, and throw it around,
Keep you legs on the horizon, and walk with pride,
Hold the sky to stand, and walk with the wind in your hands,
Be the front-runner; because when you walk, the world walks with you.”

Gulzar Saab

p.s.: versão adaptada. “The world” substituiu “India”.

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Quem Sou Eu?

Mafe, Fê, Féfi, Maria Fernanda…

Possuo vários apelidos, dependendo principalmente do lugar em que estou. Sou de Joinville/Santa Catarina – lá nasci e já com o apelido Féfi – mas na vinda para São Paulo, há mais de 4 anos, ganhei os apelidos Mafê, Fê, Maria, Fernanda… Por isso, fiquem à vontade para me apelidar como mais gostarem!

Vim para São Paulo em busca de desafios. Uni meu interesse pela administração com o sonho de cursar uma faculdade com excelência de ensino e aprender muito, estudar muito e aproveitar as oportunidades que surgiriam a partir de então. Foi assim que logo no início conheci o pessoal da Consultoria Junior Publica e apaixonei-me pela proposta de ir muito além do estudo da administração de empresas.

Começava ali o interesse em trabalhar com e para organizações do Terceiro Setor e de órgãos públicos, conhecendo-os melhor e buscando contribuir seriamente para gerar melhorias. Em paralelo, trabalhei com uma aluna adulta, praticamente analfabeta, onde certamente aprendi mais do que talvez tenha ajudado. Conheci e senti na pele a sensação de viver em um mundo inteligível, onde as letras e os números formam desenhos, ausentes de significados. Uma vida repleta de angústias, de vergonhas, de medos – tão distintos dos meus. Medo de alguém perceber que a pessoa não consegue escrever seu próprio nome. Medo de errar ao escrever o nome que tanto fora treinado no papel em casa.

Pois a Dona Maria, minha verdadeira professora, expandiu a minha visão e despertou-me muito interesse pela sua garra, pela sua força de vontade em sair dessa escuridão e passar a decifrar o que o mundo queria lhe dizer à sua volta. E mais, queria escrever para os seus filhos, mandando-lhes mensagens e frases de amor. E com muito amor e muita garra é que ela abriu meus olhos e eu passei a enxergar essa imensidão de pessoas, de verdadeiros guerreiros que querem expandir suas capacidades e viver uma vida muito mais digna, muito mais livre.

Acredito que guerreiros somos nós todos que queremos ir além do nosso micro-cosmos, que queremos enxergar esse mundo com tantas belezas, com tanta gente que quer lutar junto para viver em um mundo melhor e para criar oportunidades para que outros busquem melhorias às suas próprias vidas. Quero ajudar as pessoas a se ajudarem, a expandirem suas habilidades de tal forma que é com elas que irei ampliar a minha própria visão do mundo, quanto mais realidades eu conhecer, quantos maiores forem os desafios que eu enfrentar.

Estou encantada com a proposta da Escola de Guerreiros Sem Armas, sedenta para ter essa vivência, curiosa para começar a jogar o Jogo e chegar o momento em que estaremos com a mão na massa na comunidade de Santos!

Só para começar…

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